14 junho, 2013
Os confrontos de ontem no centro de São Paulo são um exemplo nítido, um verdadeiro estudo de caso, de como os assessores políticos não compreendem os novos tempos em que a informação não é mais privilégio de um grupo comandado pelo dinheiro estatal. No editorial de ontem da Folha (citando um entre tantos outros veículos) clamavam por retomar a Paulista dos "baderneiros". Aí surge a ideia de responder com veemência aos manifestantes porque é isto que a população quer, afinal é o que a mídia está dizendo.
Porém a mídia tradicional não dita mais o que a população pensa e os governantes não se deram conta deste fato ainda. Antes da popularização da internet havia um controle ao acesso à informação, só que hoje ele não existe mais, a informação está aí para quem quiser saber. Se antes notícias como o carro de um idoso ter seu interior atingido por uma bomba de efeito moral seria fato conhecido por apenas quem esteve presente, hoje a foto está estampada nas redes sociais. Os governantes precisam aprender que novos tempos exigem novas abordagens.
08 junho, 2013
A imprensa fez questão de divulgar com detalhes o homicídio da dentista que foi queimada em Santo André e em menos de um mês tivemos dois crimes semelhantes: outro dentista queimado no interior de SP e agora uma vítima de roubo (latrocínio) carbonizado dentro de seu carro. Tempos atrás a mesma imprensa, a título de manter o povo bem informado, noticiou com alarde um estudante que dirigiu na contramão na Castelo Branco até se matar ao colidir com um caminhão. E o que aconteceu em seguida? Vários outros casos de pessoas que resolveram dirigir na contramão em rodovias do estado.
A imprensa precisa abandonar está lógica de lucro a qualquer custo camuflada de liberdade de imprensa e direito à informação e parar de inspirar malucos. Não precisa ser um grande estudioso da psiquê humana para perceber claramente um padrão nestes casos. A única forma da população se defender é parar de consumir este tipo de notícia. A fórmula é simples: boicotem os anunciantes destes veículos que eles mudam de atitude, pois a lógica deles é sempre a do lucro.
30 maio, 2013
A ladainha sobre o PIB brasileiro no primeiro trimestre deste ano (0,6%) contiua: os defensores do governo dizem que é um PIB igual ao americano e maior que de todos os países zona do euro. E é mesmo. Só que estamos falando de países em recessão severa. Porém quando comparado com economias que não foram tão afetadas pela crise, é um PIB pífio (a China teve 1,6% de desempenho no mesmo período).
A questão é que nosso país não está aproveitando o momento - Copa, Olímpiada, crise em países desenvolvidos - para crescer. Os vilões são os mesmos de sempre: infraestrutura precária, que atrapalha o escoamento da produção, sistema tributário caótico que gera burocracia e parco investimento em educação. Aliás, este último é o pior de todos os males: a população não só não se educa, o que está gerando importação de mão de obra especializada, como não dá valor a educação, aliás, pelo contrário, o brasileiro, em geral, tem orgulho de ser inculto.
04 maio, 2013
Não entendo a rejeição que muitos têm ao Cirque du Soleil: a empresa estabeleceu novos parâmetros de excelência e qualidade em apresentações, reinventou o circo - uma instituição existente desde a Idade Média e que faz parte da memória de todas as crianças - e ainda trouxeram o roteiro teatral para as apresentações circenses.
Sei que hoje eles são 'mainstream', mas começaram como artistas mambembes que se apresentavam no meio da rua no Canadá e fora a fenomenal estrutura, não vejo como se tivessem renegado suas origens.
03 maio, 2013
Pela terceira semana seguida os professores do Estado vão fechar a avenida Paulista em plena sexta-feira para protestar por melhores salários. A reivindação é justa, o Estado, o mais rico da nação, paga um dos piores salários para a categoria no país e já enfrenta déficit de mais de 30% dos profissionais. Em resumo: ninguém quer mais ser professor, os cursos universitários que formam licenciaturas estão fechando por falta de procura, estamos à beira de um apagão na educação.
Porém, devemos questionar se é válido atrapalhar a vida dos outros para reivindicar seus direitos. Óbvio que clamar por seus direitos é lícito e um exercício de cidadania. Mas o exercício de cidadania também se faz pensando na coletividade e está na hora de abandonar este velho modelo que servia em época de comunicação precária onde não havia celular no bolso de cada um. Está na hora de protestos mais inteligentes, que angariem a simpatia da população, como, por exemplo: flashmobs. Tecnologicamente já estamos no século XXI, está na hora de abandonar a mentalidade pré-idade moderna.
29 abril, 2013
Nem mesmo com um mês de existência e o site
BoicotaSP já gerou tanta polêmica que virou
debate na TV Folha entre um de seus criadores e Olivier Anquier.
tenho minhas reservas com o BoicotaSP porque muitos dos que participam confundem preço abusivo com não-tenho-grana-pra-pagar, porém reconheço a importância do site ao abrir o debate de que os preços em São Paulo estão extorsivos. E é somente através do debate e da transparência que o consumidor saberá qual casa cobra caro porque tem um serviço de excelência, qual casa cobra mesmo preços abusivos e até onde vai o lucro do empresário e onde está inserido o custo-Brasil (preço de frete e impostos). Não dá para parar esta discussão na frase corta-conversa de Anquier "vai e paga quem quer", ora, se todo mundo cobrar caro simplesmente ninguém terá opção alguma de um lazer que é reconhecido até mesmo como turismo, o turismo gastromônico. O brasileiro está amadurecendo como consumidor e, claro, consumidores amadurecidos incomodam quem sempre lucrou com o rebanho conformado.
O BoicotaSP não gerou apenas polêmica, mas gerou um filhote muito interessante: o
SPhonesta,
cuja ideia para mim soa mais interessante, ao invés de reclamar de quem cobra caro, enaltecer quem pratica preço justo.
28 abril, 2013
Iron man 3 não é um ótimo filme, mas é um bom filme, que é garantia de diversão pr'um cineminha de final de semana. O roteiro surpreende: começa como se fosse mais um filme fazendo propaganda contra ameaça terrorista para dar uma guinada ao sugerir a questão de a quem interessa a guerra ao terror.
E tem mais: o filme também mostra como descobertas e inventos de cientistas em busca de ciência pura e de impulsionar a humanidade para a frente pode servir a outros propósitos não igualmente nobres. Claro que tudo é bem subliminar, mas está lá se você prestar atenção.